(Ao som Krwlng - Linkin Park)
Eu estava determinada em retornar de maneira calma, tranquila e serena, chegando de mansinho, sem fazer alarde, mas ao reler estas páginas, minha garganta fechou. Infelizmente, associei minha escrita a sofrimento, a dor, logo toda vez que tento reler ou reescrever alguns episódios, minha ansiedade retorna com toda força. Achei que certas memórias não me afetavam mais, estava enganada.
Ao ver minhas palavras, percebo que a dor sempre esteve presente comigo, exceto nos momentos em que eu conseguir me entorpecer, seja com álcool, seja com sexo, ou comida, mas eu estive nessa fuga de uma dor que nem sequer sabia a origem desde que me conheço. São vinte oito anos fugindo, de um fantasma que eu não sei qual gatilho que o faz aparecer.
Por isto, um diagnóstico tardio (ou não, tendo em vista outros casos que vi) de transtorno afetivo bipolar me fez rever todas essas situações de sofrimento e euforia com outros olhos. O descontrole, a raiva desmedida, não eram alucinações minhas, eu realmente estava sentindo tudo aquilo e com motivo: um transtorno não diagnosticado.
Nas fases de euforia, eu não era feliz, eu era mais que isso, eu era invencível, o mundo era pequeno demais para mim e uma semana depois, às vezes até menos, eu tinha que correr para arrumar a bagunça que algumas noites não dormidas tinham feito. Muitas vezes eu não conseguia arrumar essa bagunça, passaram-se anos com culpa por ter feito mal às pessoas que mais gostava.
Até hoje essa culpa me atormenta e atrapalha minha vida por medo de cometer os mesmos erros. Irônico pensar que o medo de ser abandonada pelos erros que cometi faz eu cometê-los ainda mais.
Não tem sentido e pelo menos eu sei que talvez nunca terá.
A dor é crônica, a euforia também, só me resta viver com elas...
Então começamos uma nova jornada, já que agora o fantasma tem um nome, pelo menos eu vou aprender a lidar com ele sentado na minha sala de estar.
Uma coisa me conforta: Tudo que conquistei foi sem o mínimo de controle nessa montanha russa que é minha cabeça, assim se eu aprender achar padrão na instabilidade, o céu vai ser o meu limite.
Eu espero daqui dez anos abrir novamente esse diário e ver que consegui sobreviver a tudo isso.