domingo, 21 de março de 2021

Aquele que não pode ser visto

 Eu não sei se eu me conheço tão bem quanto julgo me conhecer, o que era pra ser só um jogo, virou uma brincadeira mais séria.

Pra mim é como jogar a isca e esperar o peixe vir, brinco um pouco com ele, depois devolvo ao lago.

Mas acabei me encantando pela pescaria, cai em alto mar, não consigo mais voltar, eu quero voltar?

Eu não sei se é uma fase ou se essa é umas das minhas faces que não quero aceitar. 

Eu tenho que descobrir.

quarta-feira, 17 de março de 2021

Resignificar

(Ao som Krwlng - Linkin Park)

Eu estava determinada em retornar de maneira calma, tranquila e serena, chegando de mansinho, sem fazer alarde, mas ao reler estas páginas, minha garganta fechou. Infelizmente, associei minha escrita a sofrimento, a dor, logo toda vez que tento reler ou reescrever alguns episódios, minha ansiedade retorna com toda força. Achei que certas memórias não me afetavam mais, estava enganada.

Ao ver minhas palavras, percebo que a dor sempre esteve presente comigo, exceto nos momentos em que eu conseguir me entorpecer, seja com álcool, seja com sexo, ou comida, mas eu estive nessa fuga de uma dor que nem sequer sabia a origem desde que me conheço. São vinte oito anos fugindo, de um fantasma que eu não sei qual gatilho que o faz aparecer. 

Por isto, um diagnóstico tardio (ou não, tendo em vista outros casos que vi) de transtorno afetivo bipolar me fez rever todas essas situações de sofrimento e euforia com outros olhos. O descontrole, a raiva desmedida, não eram alucinações minhas, eu realmente estava sentindo tudo aquilo e com motivo: um transtorno não diagnosticado.

Nas fases de euforia, eu não era feliz, eu era mais que isso, eu era invencível, o mundo era pequeno demais para mim e uma semana depois, às vezes até menos, eu tinha que correr para arrumar a bagunça que algumas noites não dormidas tinham feito. Muitas vezes eu não conseguia arrumar essa bagunça, passaram-se anos com culpa por ter feito mal às pessoas que mais gostava. 

Até hoje essa culpa me atormenta e atrapalha minha vida por medo de cometer os mesmos erros. Irônico pensar que o medo de ser abandonada pelos erros que cometi faz eu cometê-los ainda mais.

Não tem sentido e pelo menos eu sei que talvez nunca terá.

A dor é crônica, a euforia também, só me resta viver com elas... 

Então começamos uma nova jornada, já que agora o fantasma tem um nome, pelo menos eu vou aprender a lidar com ele sentado na minha sala de estar. 

Uma coisa me conforta: Tudo que conquistei foi sem o mínimo de controle nessa montanha russa que é minha cabeça, assim se eu aprender achar padrão na instabilidade, o céu vai ser o meu limite.

Eu espero daqui dez anos abrir novamente esse diário e ver que consegui sobreviver a tudo isso.


sábado, 23 de abril de 2016

Agradecer e agradecer.


Ontem durante uma das minhas várias noites de insônia, resolvi reler essas páginas todas de desabafos meus ao longo de anos.

Me surpreendi como sempre estive triste, muitas vezes por motivos que nem deveriam ser tão importantes, mas me deixavam abater.

Por coincidência ou não, nessas ultimas semanas tenho passado por crises de melancolia, essas crises que me ocorrem a cada biênio.

Hoje já fora da casa dos meus pais, ao voltar para um feriado apenas, percebo o quanto eu sou feliz com minha vida, minha rotina, que lutei por anos para conquistar e com ajuda de tantas pessoas que amo, sem elas com certeza não estaria hoje aqui.

Sinto falta da luz da minha janela, do vento na varanda, da liberdade de por desprender de usar roupas, de sair por aí e ver o sol, colocar música alta durante a madrugada, acordar com a luz batendo no rosto, o calor das noites quentes, o amor de todos os dias que eu sinto do lado de quem nunca deveria ter saído.

É bem verdade o que dizem, às vezes precisamos sair um pouco da rotina e olhar de cima, com uma visão ampla e ver que tudo está no seu devido lugar, a desordem às vezes cai bem, e o caos do dia a dia não é antônimo da felicidade.

É preciso perceber que hoje tenho tudo o que quis e desejei por anos.
Parece pequeno, mas uma varanda no décimo andar no centro da cidade ao lado de quem amo foi tudo que eu sempre quis.

Agradecer e agradecer, acho que é a primeira vez que faço isso aqui.
Espero que não seja tarde para começar.


domingo, 13 de setembro de 2015

Este é um daqueles dias em que você acorda e não se sabe por qual motivo encontra-se na terra.
Mas não é uma vontade de inexistir, é somente uma sensação de inércia tão grande que é possível que os anos passem e estarei aqui neste mesmo lugar, nesta mesma cadeira escrevendo.
Os dias parecem ser todos iguais. Não há diferença entre a segunda e a sexta, o que é algo incomum.
É unânime o ódio as segundas-feiras, pobres coitadas, simplesmente por arrancar as pessoas da alegria em fingir que não vive a própria vida sofrida diariamente de proletariado. Onde todos os dias são iguais, das oito ás cinco, para justamente ganhar o pão do dia a dia e a carne dos finais de semana. É contraditório.
Essa sensação de homogeneidade ao logo dos dias, por mais que pareça, não é uma crítica, é uma constatação e a consequência de uma sequência de escolhas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Empatia

Psicol Projeção imaginária ou mental de um estado subjetivo, quer afetivo, quer conato ou cognitivo, nos elementos de uma obra de arte ou de um objeto natural, de modo que estes parecem imbuídos dele. Na psicanálise, estado de espírito no qual uma pessoa se identifica com outra, presumindo sentir o que esta está sentindo.

Tarefa quase impossível colocar-se no lugar do outro, e deixar-se possuir pelo sentimento nobre que é a empatia. Fala-se muito sobre ele, mas eu quero ver quem é aquele que de fato consegue sentir o que o outro sente sem passar pela vivência e experiência que o outro passou. Essa projeção imaginária é muito louca, mas quando de fato acontece parece que você se sente desconectado num vão entre a sua experiência e a do outro. Afinal, você torna-se um outro ser diferente daquele que era um pouco antes, e não se enxerga mais. Uma sensação de estramento e questionamento: "Quem sou eu agora?", "O que eu faço?", "Para onde vou a partir daqui?". Um estado de confusão mesmo.

É por isso que estou passando agora, joguei tanta pimenta no olho dos outros, de um outro sendo bem específica, e quando senti essa ardência entendi a dor. Isso não é empatia, definitivamente não. Isso é, desculpe a expressão, tomar no cu. É levar um tapa da vida e ouvir um "Bem feito, se não é com empatia que você vai sentir a dor, vai ser na pancada mesmo". Pois bem. 
Como estou imersa nessa confusão toda, não sei julgar nada agora, nem as consequências desse sentimento estranho, se irei tornar-me uma pessoa melhor ou pior. Não sei.

A única coisa que sei é: Não sou eu quem está aqui, é um intermédio do "eu anterior" e do "eu posterior". Um vácuo entre duas vivências.

Aguardemos o resultado disso. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O retorno.

Quase dois anos, estou eu aqui novamente.
E se você pensa que muita coisa mudou, não. O mundo continua a mesma merda, os ônibus cada vez mais cheios e eu continuo dependendo deles e fazendo meus trajeto a pé.
Resumo: Em dois anos eu não consegui enriquecer.
Talvez a minha cabeça tenha mudado principalmente sobre política, hoje eu estou mais consciente e mais conivente, na verdade acho que justamente pela consciência adquirida vem aquela vontade de desistir e seguir a vida. Aceita que dói menos.
O Facebook continua uma rede social de ostentação que estraga a vida psicológica de todas, afinal quando você tudo tão lindo na vida alheia pensa: É o fracasso é exclusivamente meu.
No fundo a gente sabe que é tudo uma farsa que as pessoas só compartilham aquilo que lhes agradam, quem vai querer compartilhar que a vida está uma merda?
Só eu mesma.

Mas o motivo pelo retorno é a vontade inesperada de voltar a escrever.
As sessões de terapia não são válvula de escape o suficiente, então busquemos outros meios de aliviar as dores cotidianas.

Bom retorno, pegue um café e coloque rum porque a vida aqui realmente não está nada fácil.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Devaneio

Andando na rua, e então lhe perguntou:
- E porque você não o faz?
A resposta vem dura, seca.
- Porque minha consciência vale mais do que qualquer coisa. Os meus princípios valem mais do que essa situação. Já passei por cima disso uma vez e pelo mesmo motivo. Estamos onde estamos, não é?
- ...

O silêncio logo após essa resposta veio ainda mais cruel...
Um consentimento.

Coisa que o outro lado da conversa não esperava, gostaria de vê-lo rastejando, pedindo redenção, pedindo para repensar melhor que talvez dessa vez valeria a pena. O silêncio foi a resposta.
Então estava certa em não de desfazer de si mesma, seguiu sua vida.