terça-feira, 31 de julho de 2012

O consolo ao "Consolo na Praia" de Drummond

Isso é mais um berro de otimismo na minha madrugada do que qualquer coisa,
e uma consolo a morte que me ocorreu ao ler "Consolo na Praia".









c'est fini


Eu sinto cheiro de finais, e os temo. Como se eu sempre adivinhasse quando um está por vir, é um estalo que dá. "Então acabou".

Não sei lidar. Me apego a tudo, ambientes, seres, sensações.
Eu sempre tento achar um pouco de mim em outros e quando acho, nunca mais estou preparada para depois, um dia não mais me encontrar.

Séries, filmes, vidas. 
Essa melancolia de fim me toma de um jeito, em que fico por um bom tempo assim.
O ruim é que nem sempre o final é bonito ou surpreendente como devia ser, às vezes parece um filme que baixou cortado, não tem o mínimo sentido. Ás vezes o fim já aconteceu há uns bons lances, só que constantemente acredito que ainda vai ter mais uma temporada. Quando descubro que estava errada, então vem a dor. A dor do desapego.
E a nostalgia. Porque tudo que passou era bom. Só me resta lembrar dos tempos bons, não é mesmo?

sábado, 28 de julho de 2012

Qual o pior?

Eu ainda me pergunto qual é o pior, se é ter memória curta.
Ou lembrar diariamente uma merda que você fez.

Sofro do mal de memória curta, que apaga todas coisas ruins que fiz ou fizeram para mim.
Assim consigo esquecer rápido, sem comprimidos, nem consultas psiquiátricas.
 Logo menos volto a estar feliz.

Só que também quando menos espera a lembrança do que fez volta,
destruindo tudo e varrendo sua confiança em si.
Você realmente tinha esquecido, era como se jamais tivesse vivido aquilo, ao relembrar, revive e sofre como se fosse a primeira vez.
Não acredita, vê em terceira pessoa, fazendo um esforço monta a cena completa, porém não é você ali, não se vê, não acredita que a mesma pessoa quem é hoje foi capaz de fazer tudo aquilo.

São ciclos, de esquecimento e lembranças, apagando e relembrando
e a cada vez que relembra mais desacredita.

Rojo


Matou, em alguns cliques, dois anos e umas sete vidas.
Enquanto a casa vazia e todos estavam fora num sábado às 02:14, mas não há o que esconder.
No vestido vermelho o sangue não mostra.


Só quem presenciou foi Adriana C. cantando com sua guitarra,
-"Por quê? Por quê?"

terça-feira, 24 de julho de 2012

O café e a vitória.

Metódica, eu diria. Ou até mesmo ansiosa demais para conseguir passar uma manhã inteira sem encostar em uma bomba calórica. A máquina de café era sua melhor amiga, passava mais tempo ao lado dela do que seus outros companheiros de trabalho. Se entendiam melhor, colocava sua moeda de cinquenta centavos que seriam 250 ml e já estaria satisfeita ao longo do dia. Isso dependendo de seu humor, é claro.

Um dia esperava uma ligação, decisiva, onde os rumos de sua vida medíocre poderiam mudar, dependo da resposta ao outro lado da linha. Não recebeu a ligação, ficou ansiosa o suficiente para ligar ela mesma em busca de resposta. O sim ou o não. 

Cinco minutos depois, estava perplexa, não acreditava no havia ouvido. Foi tamanha a espera, que não poderia passar assim, batida, sem uma comemoração ao menos. Estava no escritório, o que poderia fazer ao máximo seria ir buscar um grande copo de café, o mesmo. Aquele de cinquenta centavos. 

Ao caminhar até máquina, assistiu tudo em câmera lenta, o sol quente atravessando as janelas, os homens ao fundo fazendo uma reforma, o vento trazendo de leve aquela poluição seca de inverno, tudo que sempre esteve ali, mas que agora merecia sua atenção. Olhava todos ao seu redor e murmurava, perguntava-se "Será que sabem ao lado de quem estão? Será que sabem o que conquistei nos últimos dez minutos?" Fora a maior caminhada de trinta metros que já havia feito. Pegou seu café, sentou-se em sua cadeira em frente ao computador, só então deu o primeiro gole. E que gole. Continha um sabor que nunca havia provado, sabor único de quem nunca havia conquistado nada na vida, e agora sentia sabores e odores que jamais sentira. Resquícios de uma vida nova. E o sabor perdurou em sua boca por muito tempo.








domingo, 15 de julho de 2012

1# fragmento

Esfregava a mão ao rosto, com força e repetidamente. Como quem quisesse limpá-lo, quase causando feridas. Como queria apagar seus traços de sua própria face.
Por não aguentar o peso das lembranças, o peso do tempo sobre suas costas.

Sem dar-se conta, flagelava seus dedos, ao som da mesma música, aquela que o transportava para outra dimensão, imerso em seus pensamentos só retornava ao sentir o sangue escorrendo de seus dedos, porém não conseguia parar aquela sensação de montar sua vida a sua vontade, do modo que bem gostaria ao som daquilo que o fazia desfalecer, era irresistível.

Horas antes, saiu em fuga, poderia andar, mas decidiu gastar seus últimas moedas na passagem de um circular, para dar uma volta em seu bairro. O balanço do ônibus velho e a gritaria em volta não incomodava, só queria olhar a noite as luzes daquelas casinhas, umas empilhadas em cima as outras. Observava o filme mudo a sua volta, todos aparentemente felizes, conversando na volta de um domingo a noite, não se sentia bem, não se encaixava. Então assim preferia continuar olhando as luzes pela janela, punindo seus próprios dedos por isso, arrancando sua própria carne e voando entre aqueles becos.
Era visível o sangue sobre o esmalte ruído. Que prazer imensurável aquilo lhe dava.





sábado, 14 de julho de 2012

Que vida boa.
Férias, e essa luz de lâmpada fluorescente que faz meu astigmatismo pirar.
Que delícia de se ouvir minha playlist no repeat em frente as minhas tabelas de Excel.

Essa paisagem linda que é de se ver, papéis e mais papéis ao meu redor.
E os telefones tocando sem parar.



Curtindo minhas férias. Só que não.