domingo, 13 de setembro de 2015

Este é um daqueles dias em que você acorda e não se sabe por qual motivo encontra-se na terra.
Mas não é uma vontade de inexistir, é somente uma sensação de inércia tão grande que é possível que os anos passem e estarei aqui neste mesmo lugar, nesta mesma cadeira escrevendo.
Os dias parecem ser todos iguais. Não há diferença entre a segunda e a sexta, o que é algo incomum.
É unânime o ódio as segundas-feiras, pobres coitadas, simplesmente por arrancar as pessoas da alegria em fingir que não vive a própria vida sofrida diariamente de proletariado. Onde todos os dias são iguais, das oito ás cinco, para justamente ganhar o pão do dia a dia e a carne dos finais de semana. É contraditório.
Essa sensação de homogeneidade ao logo dos dias, por mais que pareça, não é uma crítica, é uma constatação e a consequência de uma sequência de escolhas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Empatia

Psicol Projeção imaginária ou mental de um estado subjetivo, quer afetivo, quer conato ou cognitivo, nos elementos de uma obra de arte ou de um objeto natural, de modo que estes parecem imbuídos dele. Na psicanálise, estado de espírito no qual uma pessoa se identifica com outra, presumindo sentir o que esta está sentindo.

Tarefa quase impossível colocar-se no lugar do outro, e deixar-se possuir pelo sentimento nobre que é a empatia. Fala-se muito sobre ele, mas eu quero ver quem é aquele que de fato consegue sentir o que o outro sente sem passar pela vivência e experiência que o outro passou. Essa projeção imaginária é muito louca, mas quando de fato acontece parece que você se sente desconectado num vão entre a sua experiência e a do outro. Afinal, você torna-se um outro ser diferente daquele que era um pouco antes, e não se enxerga mais. Uma sensação de estramento e questionamento: "Quem sou eu agora?", "O que eu faço?", "Para onde vou a partir daqui?". Um estado de confusão mesmo.

É por isso que estou passando agora, joguei tanta pimenta no olho dos outros, de um outro sendo bem específica, e quando senti essa ardência entendi a dor. Isso não é empatia, definitivamente não. Isso é, desculpe a expressão, tomar no cu. É levar um tapa da vida e ouvir um "Bem feito, se não é com empatia que você vai sentir a dor, vai ser na pancada mesmo". Pois bem. 
Como estou imersa nessa confusão toda, não sei julgar nada agora, nem as consequências desse sentimento estranho, se irei tornar-me uma pessoa melhor ou pior. Não sei.

A única coisa que sei é: Não sou eu quem está aqui, é um intermédio do "eu anterior" e do "eu posterior". Um vácuo entre duas vivências.

Aguardemos o resultado disso. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O retorno.

Quase dois anos, estou eu aqui novamente.
E se você pensa que muita coisa mudou, não. O mundo continua a mesma merda, os ônibus cada vez mais cheios e eu continuo dependendo deles e fazendo meus trajeto a pé.
Resumo: Em dois anos eu não consegui enriquecer.
Talvez a minha cabeça tenha mudado principalmente sobre política, hoje eu estou mais consciente e mais conivente, na verdade acho que justamente pela consciência adquirida vem aquela vontade de desistir e seguir a vida. Aceita que dói menos.
O Facebook continua uma rede social de ostentação que estraga a vida psicológica de todas, afinal quando você tudo tão lindo na vida alheia pensa: É o fracasso é exclusivamente meu.
No fundo a gente sabe que é tudo uma farsa que as pessoas só compartilham aquilo que lhes agradam, quem vai querer compartilhar que a vida está uma merda?
Só eu mesma.

Mas o motivo pelo retorno é a vontade inesperada de voltar a escrever.
As sessões de terapia não são válvula de escape o suficiente, então busquemos outros meios de aliviar as dores cotidianas.

Bom retorno, pegue um café e coloque rum porque a vida aqui realmente não está nada fácil.