sábado, 26 de novembro de 2011

O poema.

"Do altar, luz amarela ilumina
e a sombra inebriante guia
despindo com seus olhos, assedia
alcança, apalpa, rumina...

A alma turva a subordina,
a aura casta e crua anestesia,
senhoria frágil clama 'alforria'
mas o pulso férreo recrimina!

O vermelho das entranhas é libertado,
murmúrio torpe grita!
O pranto dos anjos é derramado...

O matrimônio imaculado é violado,
silêncio da vida finita..."

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Conto fantástico

"Eu criei ele para você Diana, eu o fiz bem?"
"Melhor impossível"

Isso foi um trecho de uma conversa da noite conturbada que tive ontem.
Eu e Willien em meio a uma briga terrível, a pior de todas, onde achei que ali seria nossa última noite juntos, e de fato seria. Até algo ou alguém intervir.
Em meio a madrugada fria, nós dois já certos de nossos caminhos que provavelmente seguiríamos separados, Willian muda sua feição, seu sorriso e seu olhos já não são mais os mesmos. Entre colchões e cobertores, ele me pergunta tranquilamente:
- Você prefere eu ou o fantoche?

Ali eu percebi, que não era mais ele que estava em minha frente, senti um arrepio tomar conta de mim.
Desesperada, com medo de que Willien não mais voltasse dependendo de minha resposta, respondi rápido chorando - "Eu prefiro o fantoche! O fantoche!" - E o abracei na esperança de ele voltasse ao seu corpo, alguns segundos depois lá estava Willien, acordando desse sono estranho em que alguém que não fora ele esteve em seu corpo.

Aquilo que havia acontecido, abalou meu corpo também, no mesmo momento senti dores de cabeça e sensações estranhas, nós dois estávamos juntos então, porém sem saber o que fazer e se aquilo voltaria acontecer. Dormir não iríamos mais, então decidimos resolver nossas desavenças e problemas ali naquela noite.
Sentia uma parte do meu coração morta, estava perdendo quem amava aos poucos, de erro em erro, sentia que ele era menos eu e mais ele, Willien. Por minha e total culpa, difícil admitir.
Entre conversas longas demais e emotivas demais para serem escritas aqui, Ele voltou...
sem esperar Willien completar uma frase, a cortou como navalha e percebi seus olhos mudarem novamente, e o abracei para não ver seus olhos escuros, então aquele que não sabíamos o que era, me perguntou:
- Eu gosto tanto de você, porque tem medo de mim? Porque não olha nos meus olhos?
- Eu-eu não sei - Eu não estou acostumada com eles
-Você ama o fantoche?
-Sim, sim, e amo muito ele...
-Então porque você pensa em outro?
- Eu não sei, eu não sei!
- Será que esse homem não é o seu destino?
- Não! Não! A gente se desencontra demais...
- Desencontros não são coisas do destino...
Sabe, Diana, independente do que você escolher, os dois caminhos serão de aprendizado, você será feliz nos dois, mas de maneiras diferentes. Quero que saiba que o corpo dele é útil pra mim, eu não vou matá-lo.
- Você não está dizendo isso para me livrar da culpa dessa escolha?
- Eu sou dependente dessa sua escolha, vocês humanos não entendem que é necessário as vezes estar no olho do furacão para aprender alguma coisa...

Então durante alguns minutos, fiquei em silêncio, Ele também, mas apesar de não ouvir uma palavra, apenas pela respiração ofegante eu sabia qual de meus dois amantes estavam ali. Já não tinha mais medo, Ele por não saber disso fechava seus olhos, justamente para não me assustar. Eu o observava, aos poucos fui me aproximando. Por afeto, por amor...
Passei a mão em seu cabelo, que até minutos atrás era de Willien, ele quebrou o silêncio e falou:
- O corpo de você humanos produz sensações interessantes...
Tirei a mão rapidamente, assustada. Ele disse:
- Pode continuar, isso é bom.

Encontrei nesse momento Willien, naquela alma estranha e desconhecida para mim, era ele, por mais inverossímil que pareça, era ele em outra forma...
A noite foi seguindo, continuamos conversando por horas, com alguns intervalos onde ele dizia ter que ir embora, para outros lugares porque estava sem energia. Willien acordava e me perguntava o que estava acontecendo, eu o explicava e daqui a pouco, lá estava Ele de volta para contar dos lugares que visitou, como era a vida em outros planos e me insistia para que perguntasse. Em um certo instante, ele parou a conversa, refletiu um pouco e disse:
- Poderia passar a eternidade aqui, conversando contigo.
Nunca vou saber por quem dos dois isto foi dito, não há como saber.

Chegando próximo ao amanhecer, já estava apaixonada, não queria mais que ele fosse embora, mas ele ia, não sei porque, nem quando voltaria, mas teria que ir. Não sei se poderia beijá-lo, de surpresa o beijei. Seus olhos, que estiveram fechados durante toda noite se abriram, arregalados e escuros. Apreensivo me pediu desculpas, dizendo que não queria me assustar, então o beijei de novo, e de novo e de novo, o vi sorrindo dizendo "Vocês humanos possuem sensações interessantes". E foi embora.

Que olhos lindos que se foram, não sei como chamam, sei apenas que ao amanhecer Willien voltou ao seu lugar, com aqueles olhos semelhantes aos dele, que confundem-se com os da criatura.
Não sei quem é o dono daqueles olhos. Me apaixonei em uma noite, pela mesma pessoa que já estava apaixonada. Ás vezes, ainda chamo Willien, com esperança de encontrar aqueles olhos ali, nunca estarão e nem devem estar.