sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Enquadramentos

Quem diria, Diana, quem diria?
Nem eu apostaria tão alto que hoje você estaria exatamente no lugar onde há dois meses imaginou estar.
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Uma criança brincando com seu pai logo ali, próximo a mim.
O enquadramento bonito que forma a mesa de madeira em contra-luz.
Uma moça que provavelmente está trabalhando no lugar joga conversa fora com outrem que meu enquadramento não vê.
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Onde está minha câmera? Bom, isso no momento não importa.
Aqueles olhos tristes que saíram na foto ainda estão aqui, porém bem mais esperançosos agora, vendo muito além do que costumava ver.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Meu grito.

Pela primeira vez ela dormiu sozinha. Fingiu dormir bem.
Ao acordar com o celular tocando as notícias vem,
e se pergunta se por acaso outras vidas também são assim...
Onde tudo por um instante está no seu lugar, então uma peça se move
e bagunça aquilo que demorou anos pra se consertar.
Não conseguindo se mover, está aqui atordoada com as notícias,
deveria estar em um hospital. Agora, prestando ajuda a quem mais ama,
que não por acaso é aquele que ontem a ligou dizendo adeus.

Poderia continuar sentada aqui, em frente a janela e saltar.
Poderia também saltar dentro dela mesma
e procurar a força que tem sido guardada para momentos como esse.
Ou então ler um livro, embarcar em outra história pensando que nada disso passa de um engano.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Metonímia.

Minhas unhas ruídas mal cuidadas, quebradas na carne.
Meu delineador que acabou há mais de meses.
Meus cabelos longos sem corte, com uma parte loura amarelada, logo as pontas.
Sinal daquela pintura que fiz em 2010, ainda está aqui.

Quantas vezes eu não mudei meu físico,
achando que realmente havia algo de diferente ali...
mal sabia que ao enlouquecer de verdade eu deixaria o tempo cuidar dele.
Meu cabelo reto com as pontas quebradas,
hoje demonstram mais minha loucura transgressora do que picado e pintado com um remédio de farmácia.

Enlouqueci
e já não faço a mínima questão de disfarçar.


domingo, 26 de agosto de 2012

Eu não vou me adaptar!


Dói, ainda mais para mim que crio apego por tudo que é vivo, que ainda vive em minha memória.
Eu sofro muito para passar por cada fase que  passo, e talvez eu nunca tenha passado por alguma assim. que me abalasse em todos os sentidos, em que nada do que eu acreditava estar certo conseguiu manter-se em pé.

É como se eu estivesse fazendo tudo de errado. Não para os outros, mas sim para mim.
Nunca me escutei e ao me escutar me dei conta que nada que estava realizando em minha vida era por meu gosto. Escutei tanto os outros que me deixei falando sozinha. E agora ao ouvir minha própria voz aos berros, ela passou destruindo tudo.

Não é fácil largar aquilo que é seguro, muito menos não sucumbir as críticas de todos.
Me sinto sozinha por não ver apoio em nenhum lado, aliás eu  até vejo, mas no fundo gostaria de ver um apoio unânime. E voltamos ao problema, eu preciso da aceitação de todos pra seguir. Não posso me enganar. Com as escolhas que tomo, acabarei batendo de frente com o mundo.
O meu mundo.


"Yeah, I'm a troubled one
And I won't be forgiven"



terça-feira, 31 de julho de 2012

O consolo ao "Consolo na Praia" de Drummond

Isso é mais um berro de otimismo na minha madrugada do que qualquer coisa,
e uma consolo a morte que me ocorreu ao ler "Consolo na Praia".









c'est fini


Eu sinto cheiro de finais, e os temo. Como se eu sempre adivinhasse quando um está por vir, é um estalo que dá. "Então acabou".

Não sei lidar. Me apego a tudo, ambientes, seres, sensações.
Eu sempre tento achar um pouco de mim em outros e quando acho, nunca mais estou preparada para depois, um dia não mais me encontrar.

Séries, filmes, vidas. 
Essa melancolia de fim me toma de um jeito, em que fico por um bom tempo assim.
O ruim é que nem sempre o final é bonito ou surpreendente como devia ser, às vezes parece um filme que baixou cortado, não tem o mínimo sentido. Ás vezes o fim já aconteceu há uns bons lances, só que constantemente acredito que ainda vai ter mais uma temporada. Quando descubro que estava errada, então vem a dor. A dor do desapego.
E a nostalgia. Porque tudo que passou era bom. Só me resta lembrar dos tempos bons, não é mesmo?

sábado, 28 de julho de 2012

Qual o pior?

Eu ainda me pergunto qual é o pior, se é ter memória curta.
Ou lembrar diariamente uma merda que você fez.

Sofro do mal de memória curta, que apaga todas coisas ruins que fiz ou fizeram para mim.
Assim consigo esquecer rápido, sem comprimidos, nem consultas psiquiátricas.
 Logo menos volto a estar feliz.

Só que também quando menos espera a lembrança do que fez volta,
destruindo tudo e varrendo sua confiança em si.
Você realmente tinha esquecido, era como se jamais tivesse vivido aquilo, ao relembrar, revive e sofre como se fosse a primeira vez.
Não acredita, vê em terceira pessoa, fazendo um esforço monta a cena completa, porém não é você ali, não se vê, não acredita que a mesma pessoa quem é hoje foi capaz de fazer tudo aquilo.

São ciclos, de esquecimento e lembranças, apagando e relembrando
e a cada vez que relembra mais desacredita.